terça-feira, 23 de abril de 2013

Mr. Darcy não era orgulhoso!!! A culpa era do colarinho!!!

     Acho que descobri um segredo que nem Jane Austen sabia!?!???!!!!!!??????
     Em nenhuma ocasião, Mr. Darcy foi orgulhoso. A culpa era do colarinho!!!
Isso mesmo!!! Do COLARINHO ENGOMADO!!!
    
     Segundo a moda masculina da época* os homens nobres e abastados utilizavam o colarinho engomado da camisa, quase sempre com as pontas viradas para cima, perto do queixo e firmadas por um lenço amarrado em redor do pescoço e isso lhes dava dificuldade em virar  de um lado para o outro fazendo com que tivessem sempre a cabeça erguida e o ar pomposo, fazendo o estilo Dândi.
     Minha conclusão é que isso era proposital, para que eles mantivessem um ar arrogante como quem não "tá nem aí" com ninguém. Percebi que Mr. Darcy foi muuuiito incompreendido, tadinho,  julgado mal, desde o início, mas lá no fundo do colarinho, sempre teve bom coração, o moço...
     Posso me explicar melhor:

  • Quando disse que Elizabeth não era suficientemente bonita para lhe tentar, com certeza a culpa não era de todo dele pois, como tinha dificuldade em virar o pescoço (por causa do COLARINHO), não havia reparado direito nela, depois de um tempo, pode olha-lá melhor frente a frente e então notou sua beleza.
  • Quando lhe fez a primeira proposta e disse aquele monte de "asneira" que ofendeu tanto Lizzie, é claro que a culpa foi do COLARINHO ENGOMADO, se pudesse virar mais o pescoço, perceberia o quanto Mrs. Bennet só pensava no bem  das filhas e que aquele comportamento "singular" das irmãs Bennet mais novas era só um "pequeno momento de tolice".
  • Mesmo quando disse a Mr. Bingley que Jane lhe era indiferente a culpa só pode ter sido do COLARINHO que não lhe permitia observar todos os detalhes dos "pombinhos", com certeza Jane deve ter demonstrado sua afeição.
     Mas... no momento em resolveu afrouxar o colarinho...
     Parece que as idéias tomaram luz...
      E tudo ficou muuuiiito mais fácil!!!
    
     Não disse?? A culpa era do colarinho engomado!     Pobre Darcy...
        Alguém discorda?!?!?!?

*mais detalhes "A moda no período Neoclássico", nos próximos post's.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dançando com Mr. Collins - O baile de Netherfield - parte final

   
     Essa foi pra contrabalancear! Explico: Para o baile de Netherfield, Elizabeth só tinha um própósito: Estar com Wickham. Sendo assim, concluímos que ela queria mesmo era dançar com Wickham e mais ninguém.
Lizzie e Wickham dançando em casa de
amigos, logo que se conheceram
     Foi pensando nisso que ela se "embonecou" e fez todo seu "make up", mas... o que ela não pretendia, sem sombra de dúvida era:
  • dançar com Mr. Darcy (aliás, já havia prometido que não faria isso)
  • dançar com Mr. Collins (pior ainda)

    A primeira, Elizabeth aceitou meio que sem pensar e foi tudo aquilo que a gente já sabe, sem contar que para nós leitores, foi A DANÇA! QUE ROMÂNTICO!!!

Lizzie e Darcy em P&P - 1995
Baile em Netherfield
    A segunda, Elizabeth não teve escolha e Mr. Collins, muito convencido de suas qualidades, já confundiu um SIM para uma dança com a certeza de um SIM para a proposta de casamento que pretendia lhe fazer, achando que Lizzie jamais recusaria tal pedido pois dessa forma seria herdeira da propriedade do pai juntamente com ele, mas... QUE ENGANO!!!

     Que tal lembrarmos as versões de 1980/1995/2005, pra escolhermos qual foi o melhor, ou sei lá, o pior, ou quem sabe o mais cômico Mr. Collins "bailarino"? 

    A de 1980, com um Mr. Collins que parecia dançar quadrilha:
    Eu fico com o Mr. Collins da versão de 1995, pra mim, foi o mais pateta...coitada de Elizabeth...
    E aqui a de 2005, com um Mr. Collins dando uma de D. Juan ou quem sabe Paulo Ricardo com seu "Olhar 43":
     Mas na visão de Elizabeth, poderiamos representar essas "três" DANÇAS ANTAGONISTAS em :
  • Mr. Wickham - A desejada
  • Mr. Darcy - A inesperada
  • Mr. Collins - A suportada

     E aos nossos olhos de humildes leitores (que não temos nada a ver com isso e quem somos nós pra dar palpite ou conselhos à inteligente e decidida Elizabeth):
  • M. Wickham - A inviável
  • Mr. Darcy - A imperdível
  • Mr. Collins - A necessária


     É queridos, temos que admitir sem falsa modestia, que dessa vez, nós leitores estávamos com a razão! O baile pode não ter sido aquela noite deslumbrante para Lizzie e Jane, mas com certeza foram esses desencontros que resultaram nos lindos encontros de finais felizes.
    Será que muitas vezes isso não acontece em nossas vidas??? A ficção copia a vida!!!

Post's relacionados:
O baile de Netherfield - parte 1 - Expectativas
O baile de Netherfield - parte 2 - A chegada do grande dia
O show dos Bennets - O baile de Netherfield -  parte 3
Consequências -  O baile de Netherfield - parte 4
Dançando com Mr.Darcy - O baile de Netherfield - parte 5
Dançando com Mr. Collins - O baile de Netherfiel - parte final

terça-feira, 2 de abril de 2013

Dançando com Mr. Darcy - O baile de Netherfield - parte 5

     Essa dança é mesmo inesquecível esteja ela em qualquer versão ou ao som de qualquer fundo musical. O diálogo (se é que pode ser assim chamado) entre Elizabeth e Mr. Darcy é memorável e afirma ainda mais a aversão entre um e outro, ou melhor, acredito que mais por parte de Elizabeth do que de Darcy, que já demonstra certa admiração por Lizzie.
     Podemos reparar que todas as danças (versões de 1980/1995/2005) têm ainda aquela característica de música barroca, não só a música, mas também os passos dançados.
    Na é poca de Jane Austen, os bailes eram movidos por esse tipo de dança (danças inglesas) e músicas de compositores contemporâneos a ela ou ainda bem mais antigos.
    Como já foi colocado em alguns posts mais antigos sobre a música no tempo da JA, os compositores mais aclamados na ocasião eram Haydn, Mozart, Beethoven, Dibdin, também eram comuns as sonatas de Playel e ainda o barroco Bach.

     A versão de O&P 1980, a qual não consegui descobrir informações sobre a canção dançada, mostra o mesmo estilo das suítes e danças country inglesas:
video

     Já a versão de 1995, trouxe a maravilhosa "Mr. Beveridge's Moggot" dançada por Darcy e Lizzie (também uma dança country inglesa), uma canção composta no final do séc. XVII, mais de cem anos antes desse aclamado baile.
    Assim como hoje, os jovens ansiavam pela modernidade e talvez as mais "moderninhas" como Lydia e Kitty não optariam por algo do tipo; seria pouco provável que esse estilo de música fosse escolhido para essa dança, ainda que a escolha fosse da anfitriã (o que era comum), as irmãs Bingley ou o próprio Mr. Bingley teriam feito uma sugestão mais atual (para a época), mesmo assim, comoveu o público (eu inclusive), sem sombra de dúvida:
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     Na versão de 2005, Dario Marianelli fez uma variação muito linda sobre um tema de Henry Purcell, compositor inglês muito aclamado na época, mas que também viveu no séc. XVII:
video
   Acredito que as pessoas eram muito mais conservadoras e não descartavam com tanta facilidade o mais antigo em favor de algo atual, apenas alternavam as duas coisas, talvez seja  essa a razão dessas escolhas. Por certo, os jovens também admiravam as canções tradicionais.
 
    Além do fundo musical, o bate-boca, digo, diálogo entre Lizzie e Darcy durante essa dança, tem um enorme peso para o seguimento do romance.
Pra quem quiser relembrar ou pra quem não leu...aí vai "o papo":

   "Elizabeth não lhe respondeu e foi tomar o seu lugar na dança, um pouco embaraçada pela honra de ser conduzida pela mão do Sr. Darcy e lendo igual espanto estampado nos rostos dos circundantes ao aperceberem-se do facto. Durante algum tempo mantiveram-se sem pronunciar uma palavra, e ela convenceu-se de que o silêncio entre eles duraria até ao fim das duas danças, resolvida que estava a não quebrá-lo. Em dada altura, porém, lembrando-se de que seria um castigo, sem dúvida maior, obrigar o seu par a falar, ela fez-lhe uma pequena observação sobre a dança. Ele respondeu-lhe, e de novo guardou silêncio. Após uma pequena pausa, ela dirigiu-se-lhe segunda vez e disse:
- É a sua vez de se pronunciar, Sr. Darcy. Como eu já falei sobre a dança, o senhor deve agora referir-se ao comprimento da sala ou ao número de pares que aqui se encontram.
Ele sorriu e garantiu-lhe que diria o que quer que ela quisesse.
- Muito bem. Por agora, essa resposta serve. Talvez, de passagem, eu devesse observar que os bailes particulares são muito mais agradáveis que os bailes públicos. Mas chegou a altura de permanecermos calados.
- Quer dizer que é para si uma regra falar enquanto dança?
- Por vezes, sim. Penso que se deva falar sempre, por pouco que seja. Seria absurdo permanecermos calados durante a meia hora que permanecemos juntos, e, todavia, no interesse de alguns, a conversa deveria ser de tal modo convencionada que lhes permitisse dizerem o mínimo possível.
- No caso presente ausculta os seus sentimentos, ou, pelo contrário, supõe responder aos meus?
Ambas as coisas - replicou Elizabeth com malícia -, pais desde o princípio que noto uma similaridade na nossa maneira de pensar. De carácter insociável e taciturno, nem sempre estamos dispostos a conversar, excepto se contamos emitir uma opinião capaz de impressionar o salão em peso e de ser transmitida à posteridade com todo o éclat de um provérbio.
- Não se pode dizer que salte à vista a semelhança do seu carácter com esse que acabou de me descrever - disse ele. - Até que ponto ele se parece com o meu, não me é dado dizê-lo. Considera-o um retrato fiel, sem dúvida.
- Não me devo pronunciar sobre a minha própria obra.
Ele não respondeu, e de novo mergulharam no silêncio, até que, numa altura propícia da dança, ele lhe perguntou se ela e as irmãs iam com frequência em passeio a Meryton. Ela respondeu-lhe afirmativamente, e, incapaz de resistir à tentação, acrescentou:
- Quando no outro dia ali nos encontrou, tínhamos acabado de fazer um novo conhecimento.
O efeito foi imediato. Uma sombra de altivez profunda espalhou-se sobre as suas feições, mas ele não disse uma palavra, e Elizabeth, embora se censurando pela sua fraqueza, não ousou continuar. For fim, Darcy falou, e, um pouco contrafeito disse:
- O Sr. Wickham é dotado de uma afabilidade que lhe permite «fazer» amigos em qualquer parte; porém, o mesmo não direi da sua capacidade em «conservá-los».
- Teve, com efeito, a infelicidade de perder as «suas» boas graças - replicou Elizabeth com ênfase -, e a um ponto tal que se ressentirá toda a sua vida.
Darcy não respondeu, e parecia ansioso por mudar de assunto. Nessa altura, junto deles surgiu Sir William Lucas, que, fazendo menção de atravessar por entre os pares para o outro lado da sala, e ao deparar com o Sr. Darcy, estacou e curvou-se numa  profunda e de extrema cortesia, felicitando-o pelo seu estilo de dança e pelo seu par.
- Na verdade, tenho-me vindo a deleitar perante tal espetáculo, meu caro senhor. Não é com frequência que se vê dançar tão bem. É evidente que o senhor pertence às mais altas esferas. Permita-me, contudo, dizer-lhe que o seu encantador par em nada o desvaloriza e que espero ver por muitas vezes repetido este meu prazer, sobretudo quando determinado acontecimento tão desejável, querida Menina Eliza (olhando de soslaio para a irmã e para Bingley), tiver lugar. Que felicitações não afluirão então! O Sr. Darcy que o diga... mas não quero interrompê-lo mais. Sei que não me agradecerá os preciosos minutos roubados à conversa fascinante desta jovem, cujos lindos olhos me estão já fulminando.
Esta última frase Darcy mal a ouviu. A alusão de Sir William a respeito do seu amigo parecia tê-lo impressionado sobremaneira, e foi com uma expressão séria que ele fitou Bingley e Jane, que se encontravam dançando um com o outro.
Contudo, em breve recuperou uma serenidade aparente, e, voltando-se para o seu par, disse:
- Com a interrupção de Sir William, esqueci-me sobre o que estávamos falando.
- Não me parece que estivéssemos sequer a conversar. Sir William não poderia ter interrompido outro par na sala que tivesse menos que dizer um ao outro. Tentamos já dois ou três assuntos sem qualquer êxito e não faço a menor ideia sobre qual possa ser o nosso tema de conversa seguinte.
- Qual a sua opinião sobre livros? - disse-lhe ele, sorrindo.
- Livros... Oh! Não. Estou certa de que não lemos os mesmos, ou, então, nunca com a mesma disposição de espírito.
- Lastimo que pense assim; mas, nesse caso, não haverá, pelo menos, o perigo de faltar o assunto entre nós. Poderemos comparar as nossas diferentes opiniões.
- Não, não conseguirei pensar em livros numa sala de baile; o meu espirito está sempre absorto noutras coisas.
- O «presente» mantém-na sempre ocupada em tais cenários; é isso? - disse ele, lançando-lhe um olhar de dúvida.
- Sim, sempre - replicou ela, sem saber bem o que estava dizendo, pois os seus pensamentos navegavam noutras águas, como claramente o deu a entender a exclamação súbita que se seguiu: - Lembro-me de o ter ouvido afirmar, Sr. Darcy, que dificilmente perdoa, e que, uma vez suscitado, o seu ressentimento era implacável. Suponho que seja escrupuloso quanto às circunstâncias que originam esse mesmo ressentimento?
- E sou - disse ele, com voz firme.
- E nunca consinta que um preconceito o cegue?
- Assim o espero.
- Para  aqueles cuja opinião não muda, é da sua particular incumbência a certeza de acertarem nos seus juízos logo à primeira.
- Posso saber qual o fim de todas estas perguntas?
- Apenas para uma mera ilustração do seu carácter - disse ela, procurando disfarçar o tom grave com que até então falara. - Estou tentando decifrá-lo.
- E quais os resultados a que chegou?
Ela abanou a cabeça.
- Pouco adiantei. São tão diversas as opiniões a seu respeito que me sinto baralhada de todo.
- De boa mente acredito - respondeu ele gravemente - que as versões a meu respeito possam variar assim tanto. Contudo, Menina Bennet, desejaria que neste momento não se debruçasse no estudo do meu carácter, pois é caso para recear que tal atividade não abone em favor de nenhum.
- Mas, se não o deslindo agora, nunca mais terei outra oportunidade.
- Não pretendo de modo algum constituir entrave ao seu prazer - replicou ele friamente. Ela nada acrescentou, e, após alguns minutos mais de dança, separaram-se em silêncio, cada um para seu lado e descontentes, embora a um grau diferente, pois no peito de Darcy existia por ela uma ternura de certo modo poderosa, que em breve lhe granjeou o perdão e dirigiu todo o seu rancor para outro.
  
Tradução de Maria Francisca Ferreira de Lima
Tradução portuguesa de P. E. A.